João 7:37–44:
Jesus promete a água viva e a multidão se divide
João 7:37–44 (SCF)
Interpretação correta de João 7:37–44
No último e mais importante dia da festa, Jesus faz um convite público: todo aquele que tem sede pode vir a Ele e beber. Em seguida, declara que daquele que crê para dentro dEle fluirão rios de água viva. João explica diretamente que Jesus falava do Espírito Santo, que receberiam aqueles que cressem depois de Sua glorificação. A declaração provoca novas reações entre a multidão: alguns O reconhecem como o Profeta ou o Cristo, enquanto outros O rejeitam por uma compreensão incompleta de Sua origem.
(v. 37)
«Ora, no último e mais importante dia da festa, Jesus se pôs em pé e vociferou dizendo: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba.»
No dia culminante da festa, Jesus Se põe em pé e faz um convite público:
«Se alguém tem sede, venha a mim e beba».
O convite é aberto: «Se alguém».
Jesus Se apresenta como Aquele a quem o sedento deve vir para receber aquilo de que necessita.
Dentro do desenvolvimento do Evangelho, vir a Jesus e beber está estreitamente relacionado com vir a Ele e crer, como já havia ocorrido com a imagem do pão da Vida.
A sede aponta, portanto, para a necessidade da vida que somente Cristo pode dar.
Durante a festa havia uma cerimônia relacionada com água, na qual se levava água de Siloé até o templo. João não afirma expressamente que Jesus tenha pronunciado essas palavras durante esse rito, mas o contexto da festa torna especialmente significativo Seu convite para vir a Ele e beber.
(v. 38)
«Aquele que crê para dentro de mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.”»
Jesus explica a resposta ao Seu convite:
«Aquele que crê para dentro de mim».
Assim fica claro que vir e beber significa crer nEle.
O resultado é descrito por meio da imagem de rios de água viva que fluem do interior daquele que crê.
Quando Jesus diz «como diz a Escritura», não parece estar citando palavra por palavra um único texto, mas reunindo um conjunto de promessas bíblicas relacionadas com água, vida e a obra de Deus.
Entre elas podem ser lembradas as promessas de água para o sedento e do derramamento do Espírito, especialmente Isaías 44:3 e Isaías 55:1, juntamente com outras imagens proféticas de águas que comunicam vida.
A ideia central é que aquele que vem a Cristo crendo recebe uma vida que não permanece estéril, mas se manifesta abundantemente em seu interior.
(v. 39)
«(Ele disse isso a respeito do Espírito, que estavam para receber os que cressem para dentro dEle, sendo que o Espírito Santo ainda não tinha sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado.)»
João elimina qualquer dúvida quanto ao significado da imagem:
Jesus falava a respeito do Espírito.
Os rios de água viva representam o Espírito que receberiam aqueles que cressem para dentro de Cristo.
Quando João acrescenta que «o Espírito Santo ainda não tinha sido dado», isso não significa que o Espírito Santo não existisse nem que nunca tivesse atuado antes. O próprio Evangelho já falou dEle.
A ideia é que Ele ainda não havia sido dado da maneira vinculada à glorificação de Jesus.
João relaciona expressamente ambas as coisas:
Jesus ainda não havia sido glorificado → o Espírito Santo ainda não tinha sido dado dessa maneira àqueles que cressem.
A glorificação de Jesus prepara, portanto, uma nova etapa na obra do Espírito entre aqueles que creem nEle.
(vv. 40–42)
«Com isso, muitos dentre a multidão, após ouvir aquela palavra, começaram a dizer, “Certamente este homem é o Profeta!” Outros diziam, “Este é o Cristo!” Mas outros diziam: “Acaso poderia o Cristo vir mesmo da Galileia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e da vila de Belém, de onde era Davi?”»
As palavras de Jesus produzem diferentes conclusões.
Alguns dizem:
«Certamente este homem é o Profeta!»
A expressão recorda a expectativa do profeta semelhante a Moisés anunciada em Deuteronômio 18:15–18.
Outros afirmam diretamente:
«Este é o Cristo!»
Mas outro grupo se opõe porque relaciona Jesus com a Galileia e recorda que as Escrituras associam o Cristo à descendência de Davi e à vila de Belém.
A questão não é que essa expectativa bíblica esteja errada. O problema é que eles utilizam o que sabem acerca de Jesus de maneira incompleta para descartar Sua identidade.
Surge novamente o mesmo problema já visto anteriormente: eles pensam conhecer suficientemente a origem de Jesus para decidir quem Ele pode ou não pode ser.
(vv. 43–44)
«Assim deu-se uma divisão no meio da multidão por causa dEle. E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.»
A reação termina em divisão.
Uns reconhecem Jesus como o Profeta ou o Cristo; outros rejeitam essa conclusão.
João resume:
«Assim deu-se uma divisão no meio da multidão por causa dEle».
Até mesmo alguns querem prendê-Lo, mas ninguém consegue pôr as mãos nEle.
A oposição continua sendo real, mas mais uma vez não consegue deter Jesus antes do momento estabelecido para o desenvolvimento de Sua missão.
Implicações
- Jesus é a fonte à qual o sedento deve vir: a vida prometida por Deus é recebida vindo a Ele.
- Vir e beber significa crer em Cristo: o próprio Jesus relaciona diretamente essas expressões.
- A água viva representa o Espírito Santo: João explica expressamente o significado da imagem.
- O dom do Espírito está relacionado com a glorificação de Jesus: uma nova etapa de Sua obra entre aqueles que creem seguiria o cumprimento da missão do Filho.
- Uma compreensão parcial das Escrituras pode produzir conclusões erradas: alguns conheciam corretamente a expectativa davídica e de Belém, mas a utilizavam a partir de um conhecimento incompleto acerca de Jesus.
- Jesus provoca respostas diferentes: uns O reconhecem como o Profeta ou o Cristo, enquanto outros O rejeitam.
Aplicações
- Venha a Cristo para receber a vida que somente Ele pode dar: Seu convite se dirige a todo aquele que tem sede.
- Creia em Jesus e receba aquilo que Deus dá por meio de Seu Espírito: a vida prometida não nasce do esforço humano.
- Não julgue Cristo a partir de informação incompleta: conhecer alguns dados ou textos não garante que você tenha compreendido quem Ele é.
- Leia as Escrituras buscando seu testemunho completo: uma verdade bíblica pode ser utilizada de maneira errada quando separada do restante daquilo que Deus revelou.
- Responda pessoalmente a Jesus: a multidão estava dividida, mas cada pessoa precisava decidir o que faria com Suas palavras.
Resumo
Em João 7:37–44, Jesus Se põe em pé no último e mais importante dia da festa e chama publicamente todo aquele que tem sede a vir a Ele e beber. Em seguida, declara que aquele que crê para dentro dEle terá rios de água viva fluindo de seu interior. João esclarece que Jesus falava do Espírito Santo, que receberiam aqueles que cressem depois de Sua glorificação. As palavras de Jesus provocam reações muito diferentes: alguns O reconhecem como o Profeta e outros como o Cristo. Entretanto, outros se opõem porque O associam apenas à Galileia e lembram que o Cristo viria da descendência de Davi e de Belém, sem compreender plenamente a origem de Jesus. Como resultado, a multidão se divide por causa dEle e, embora alguns queiram prendê-Lo, ninguém consegue pôr as mãos nEle.
Oração
Pai nosso, nós Te damos graças porque em Teu Filho abriste a fonte de vida para todo aquele que tem sede.
Ajuda-nos a vir a Cristo, crer nEle e depender da vida que comunicas por meio de Teu Espírito Santo.
Obrigado porque Teu Espírito atua pessoalmente naqueles que creem, fazendo fluir neles a vida que somente procede de Ti.
Guarda-nos de julgar com informação incompleta, de usar Tua palavra de maneira errada e de permitir que nossos preconceitos nos impeçam de reconhecer a verdade.
Dá-nos um coração disposto a receber Jesus como o Cristo e a viver pela vida que nos deste nEle.
Nós Te pedimos isso em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
O Soberano Criador Já Falou (SCF)
O Novo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo
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